domingo, 7 de setembro de 2014

As colocações e o ensino superior

Todas as noites em que saem resultados das colocações são noites de neura para mim. Não é que me incomodem os resultados. Fico extremamente contente de ver o facebook inundado de "Entrei" ou "O meu irmão entrou" ou "O meu filho entrou", mas incomodam-me e bastante os comentários da comunicação social.

Eu sou aluna de Engenharia Civil, a terminar, mas ainda aluna.
Quando concorri, entrar em Engenharia Civil era fixe. Eu concorri por sincero gosto, mas muitos colegas meus concorreram porque "é um curso com saída". A todos os Jornais da Noite, Telejornais e afins havia notícias sobre a falta de engenheiros e os 200% de empregabilidade.
E assim, concorrer a este curso era como encontrar a última coca-cola no deserto: a média era alta, o prestígio era garantido e o trabalho era à descrição.

Passado uns anos (que nem sequer são muitos), e com a grande ajuda da comunicação social, Civil deixou de ser fixe. Já não há emprego, já não há obras (como se engenharia civil fosse só fazer casas, gente ignorante!), já não é fixe.
E de um curso prestigiante (uauu, entrou em Civil!) passou a um curso onde só se entra por dois motivos:
- tem pai engenheiro;
- a média não dava para mais nada.

E isto revolta-me e de que maneira...
E o mesmo que vejo aplicado ao meu curso, vejo aplicado a inúmeros outros. Só medicina e arquitectura no Porto é que são cursos a valer. Só esses alunos é que são a nata dos universitários e o resto são uns párias que por aí andam.
Vejo dezenas de comentários sobre os cursos que vão dar empregados de supermercado. E isto revolta-me!
Adorava saber quem são os filhos da mãe que escrevem estas notícias. Adorava perceber as ideias peregrinas que aqueles antigos alunos de um curso superior têm na cabeça. Adorava perguntar-lhes se se sentem assim tão orgulhosos de fazer notícias que desprestigiam todo o esforço feito pelos alunos para entrar no curso que gostam e até o seu próprio percurso de alunos do ensino superior.
Porque sinceramente, nem todos tivemos 20 na média. Mas não é muito mais importante entrar no curso dos nossos sonhos? Não é muito mais importante explicar que só se tem emprego se se for bom no que se faz e só se é muito bom no que se faz se existir gosto no trabalho que se desempenha?

Até me podem chamar lunática, dizer que só 1 num milhão tem sorte de trabalhar no que sempre quis, mas eu não concordo e não acredito.
Não acho que todos as pessoas que acabam o curso caiam na caixa de um supermercado. Acredito é sinceramente que à comunicação social só esses coitadinhos lhes interessem. Até porque nunca ouço falar no aluno de Civil que tirou numa escola pequena e agora ganha balúrdios (e eu por acaso até conheço desses).

4 comentários:

  1. Olha pois, estive para fazer um post sobre isto.
    Irrita-me grandemente este descrédito do nosso curso. E de tantos outros que são igualmente bons. E fico-me por aqui, porque a neura já anda em altas.

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  2. Isso é porque não lês coisas decentes :p ainda esta semana no Expresso " Que engenheiros procuram então as empresas e o mercado? Os mecânicos, electrotécnicos, os químicos, os indústrias e mais para funções internacionais, os civis."

    Mas não te preocupes.. o meu curso vai tirar muitos empregos a medicina, basta olhares para as teses de sistemas (quase um quarto tem haver com automação de processos em medicina, desde urgências até cuidados intensivos) .

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    1. Definitivamente os engenheiros mecânicos vão ser a próxima epidemia mundial :P

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